O zumbido é um som percebido internamente que não provém do ambiente externo, sendo gerado no cérebro do paciente. Ele é resultado de um mecanismo de compensação cerebral em resposta a uma alteração ou lesão no órgão auditivo periférico, levando a uma hiperatividade na via auditiva central. Essa hiperatividade faz com que o cérebro “erre na dose” na tentativa de compensar estímulos não recebidos, resultando na percepção do som.
O zumbido é um problema de saúde comum, afetando aproximadamente 15% da população mundial em algum momento da vida, e mais de 35% dos indivíduos acima dos 60 anos. É um dos sintomas mais incômodos, perdendo apenas para dor de cabeça e tontura.
As causas e fatores de risco associados ao desenvolvimento do zumbido são variados e, muitas vezes, somam-se:
Lesão ou Perda Auditiva
- A ciência considera que, para o zumbido existir, é necessário que haja uma lesão auditiva, geralmente na orelha interna. Mesmo perdas auditivas muito pequenas, clinicamente insignificantes, podem ser suficientes para desencadear o processo do zumbido. A perda auditiva é um fator sabidamente necessário para o zumbido acontecer.
- A presbiacusia, que é a perda de audição relacionada ao envelhecimento natural, é uma causa comum.
- Perdas auditivas progressivas (como na exposição recreacional) tornam difícil a percepção inicial, com o zumbido aparecendo mais tarde na vida.
- Perdas auditivas agudas por trauma acústico (como explosões ou sons muito altos) podem levar ao zumbido de forma abrupta e com alta intensidade, pois o sistema nervoso central não tem tempo para se adaptar.
Exposição a Ruídos Intensos
- Exposição a ruídos intensos e prolongados é um grande fator de risco.
- Uso inadequado de fones de ouvido em volume alto, especialmente em jovens.
- Exposição a sons muito altos em shows ou eventos com rojões e fogos de artifício, que podem causar perdas auditivas agudas por trauma acústico.
- Ambientes de trabalho ruidosos sem proteção auditiva adequada. O cuidado com a audição antes de tudo é o mais importante para evitar danos controláveis.
Doenças e Condições Otorrinolaringológicas
- Doença de Ménière, que pode causar crises de tontura, zumbido e perda auditiva. O zumbido muitas vezes é um marcador importante da doença, podendo aumentar antes ou durante as crises.
- Otosclerose, uma doença degenerativa da parte interna do ouvido que leva à perda de audição e, consequentemente, ao zumbido.
- Otite média crônica, incluindo perfuração do tímpano, supurações e colesteatoma. A infecção crônica é a queixa principal nesses casos, mas a perda auditiva resultante também leva ao zumbido.
- Perdas súbitas de audição.
- Neurinoma do acústico.
- Labirintite verdadeira (infecção no labirinto), que pode causar perda de audição, zumbido e tontura simultaneamente.
Fatores Somatossensoriais (Região da Cabeça e Pescoço)
- Dores e disfunções na região da cabeça e pescoço, como disfunção temporomandibular (DTM) e bruxismo, são fatores de risco.
- Disfunção cervical e tensão ou pontos gatilho em músculos da nuca (suboccipitais).
- Procedimentos na face ou cabeça como implantes capilares, implantes dentários, colocação de alinhadores ou aparelhos ortodônticos, e extrações de dente, que podem excitar o nervo trigeminal e influenciar a via auditiva.
- A perda auditiva pode sensibilizar os músculos do rosto e pescoço, criando uma comunicação bidirecional entre as vias somática e auditiva, onde a tensão muscular pode piorar um zumbido existente.
- A modulação do zumbido (alteração da frequência ou volume com movimentos da mandíbula e cervical) é um tributo da via auditiva, mas como critério único, sem a presença de dor ou disfunção, é pobre para indicar zumbido somatossensorial.
Fatores Emocionais e Psicológicos
- Ansiedade, depressão e estresse são fatores que tornam o paciente mais suscetível a reações negativas e maior desconforto com o zumbido. A ansiedade ativa áreas cerebrais semelhantes às do zumbido e pode levar à “não flexibilização do pensamento”, dificultando a absorção de informações e a modificação da percepção inicial do zumbido.
- Perfis de personalidade mais ansiosos, depressivos ou com transtorno de ansiedade generalizada (TAG) ou TOC podem ter maior dificuldade em lidar com o zumbido.
- A hipervigilância, onde o indivíduo está excessivamente atento e até mede o zumbido constantemente, pode agravar a percepção e se assemelha a um excesso de disciplina.
- A inabilidade de lidar com emoções negativas e o imediatismo contribuem para o sofrimento.
Distúrbios do Sono
- Insônia e apneia do sono podem agravar a percepção do zumbido. O sono fragmentado e o estado de hiperalerta do cérebro na insônia têm fisiopatologia semelhante ao zumbido.
- Cochilos prolongados (com 10 minutos ou mais) podem fazer o zumbido oscilar em seu nível de percepção, podendo aumentá-lo significativamente ao acordar.
Hipersensibilidade Sonora (Hiperacusia)
- É comum que o zumbido venha acompanhado de sensibilidade a sons (hiperacusia), onde ruídos do dia a dia causam grande incômodo. Cerca de 40% dos pacientes com zumbido também apresentam hiperacusia. Muitos pacientes com hiperacusia também carregam outras hipersensibilidades (visual, tátil, olfatória).
Outras Condições
- Enxaqueca (migrânea): Caracteriza-se por uma hipersensibilidade sensorial, onde a pessoa ouve, enxerga e percebe cheiros de forma mais intensa. Pacientes com enxaqueca podem ter crises de tontura e zumbido.
- “Excessos” (visão da Medicina Chinesa): Pessoas com excesso de energia (como ser mais nervoso, estressado, com pressão alta, dores de cabeça) tendem a ter maior sensibilidade a sons e zumbido.
O zumbido é uma manifestação complexa e multifatorial, onde diversas condições e fatores.
