O zumbido se manifesta como um som percebido por uma pessoa que não provém do ambiente externo, sendo gerado no cérebro do paciente. Esta percepção pode ocorrer em um ouvido, em ambos os ouvidos, em parte da cabeça ou na cabeça inteira, variando muito de paciente para paciente. O tipo de som pode ser um apito ou um chiado.
A razão pela qual o zumbido se torna um problema de saúde tão comum e relevante deve-se a vários fatores:
• Alta Prevalência: É um sintoma que afeta uma parcela significativa da população global. Aproximadamente 15% da população mundial sente ou já sentiu zumbido em algum momento da vida. Em cidades como São Paulo, essa incidência pode ser ainda maior, e em indivíduos acima dos 60 anos, pode chegar a mais de 35%.
• Grau de Desconforto e Sofrimento: O zumbido é considerado um dos piores sintomas do ser humano, perdendo talvez apenas para dor de cabeça e tontura em termos de grau de desconforto. Ele pode levar a um sofrimento muito grande e comprometer seriamente a qualidade de vida do indivíduo.
• Mecanismo de Geração: O zumbido ocorre como um mecanismo de compensação do cérebro em resposta a alguma alteração no órgão auditivo periférico. Há uma hiperatividade na via auditiva central porque o cérebro percebe que não está recebendo os estímulos auditivos aos quais estava acostumado. A intenção inicial do cérebro é “boa”, tentando buscar um equilíbrio, mas ele “erra na dose”, resultando na percepção incômoda do som.
• A Reação do Indivíduo: A complexidade do zumbido não reside apenas no som em si, mas principalmente nas reações provocadas por ele. O cérebro reage ao sinal ativando vias relacionadas à atenção e emoções, o que leva a respostas negativas variadas. Muitos pacientes não se incomodam, tanto que 80% das pessoas com zumbido nem procuram um médico. Apenas cerca de 20% procuram ajuda, e deste grupo, 2% a 5% sofrem categoricamente. Isso demonstra que o problema é como o zumbido afeta a vida da pessoa e as reações que desencadeia.
• Associação com Perda Auditiva: A ciência considera que, para o zumbido existir, é preciso que haja uma lesão auditiva, geralmente na orelha interna. Essas perdas podem ser muito pequenas, clinicamente insignificantes, mas já suficientes para desencadear o zumbido.
• Principais Grupos de Risco e Causas Associadas:
- Pessoas com perda de audição são o principal grupo de risco.
- Exposição a ruídos intensos e prolongados (recreacionais, como fones de ouvido em omo fones de ouvido em volume alto, shows, rojões; e ocupacionais) é uma causa muito importante de lesão auditiva e, consequentemente, zumbido.
- Comorbidades e doenças relacionadas à audição, como presbiacusia (perda auditiva por envelhecimento), doença de Menière, otosclerose, otite média crônica, perdas súbitas de audição e neurinoma do acústico.
- Dores na região da cabeça e pescoço também podem ser um fator.
- Fatores emocionais e psicológicos: Pacientes mais ansiosos, depressivos ou passando por situações estressantes são mais suscetíveis a ter reações negativas ao zumbido e maior desconforto.
- Distúrbios do sono, como insônia e apneia, podem agravar a percepção do zumbido.
- Hipersensibilidade sonora (hiperacusia): É comum que o zumbido venha acompanhado de sensibilidade a sons, onde ruídos do dia a dia causam grande incômodo.
A compreensão de que o zumbido é um som gerado internamente e que o impacto varia enormemente entre os indivíduos, dependendo de fatores auditivos, somatossensoriais, emocionais e cognitivos, é fundamental para entender por que ele é um problema de saúde tão prevalente e desafiador.
